Basta andar um pouco por São Paulo para ver motoristas rodando com todas as luzes acesas, usando apenas o faróis de posição e os de neblina, entre outras combinações. Talvez eles pensem que seus carros (ou até os próprios) fiquem mais bonitos. Seja qual for o motivo, usar erradamente os faróis e luzes pode causar um acidente ou incomodar outras pessoas. Saiba como escolher cada um deles de acordo com a situação.

Luz de posição/lanterna
Esse tipo de iluminação não substitui o farol baixo e também é conhecida como lanterna. Ela se posiciona na parte frontal e serve para alertar pedestres e motoristas sobre a presença do seu veículo quando ele estiver estacionado ou manobrando. As luzes de posição também podem ser utilizadas durante o dia, ainda que tenham pouca eficácia em ambientes iluminados

Farol baixo
Ele deve ser acionado à noite e situações como neblina, estradas, túneis e locais escuros. O equipamento é suficiente para iluminar um trecho de aproximados 40 metros à frente. Seu facho é voltado para baixo e foca no lado direito do carro, iluminando bem o limite da via e evitando ofuscar outros motoristas. Seu uso na chuva também é recomendado.

Há os que advogam o uso de farol baixo em qualquer situação. É inquestionável o aumento de segurança proporcionado por esse hábito, uma vez que ele permite a pedestres e motorista visualizar o outro veículo mesmo que ele esteja muito longe. A prova é a diminuição da ocorrência de colisões frontais após a implementação da lei que obriga o uso dos faróis baixos.

Recentemente, foi publicada a Lei 14.071/20. Entre as alterações promovidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) está a regra que obriga o uso dos faróis baixos apenas nas rodovias de mão simples, e não mais em qualquer estrada. A medida passa a valer a partir do dia 12 de abril de 2021.

Farol alto
Um facho longo, mais alto e que ilumina fortemente os dois lados. Esse é o farol alto, cujo uso é indicado em rodovias e estradas sem iluminação e deve ser comutado para o baixo para não ofuscar ninguém caso tenha outros veículos na via. Alguns carros têm até assistente de farol, tecnologia capaz de modular o facho de luz ou baixá-lo ao detectar um veículo à frente ou em sentido contrário.

Também é permitido o acionamento rápido para avisar motoristas que vem no sentido contrário de algum perigo ou até para sinalizar uma ultrapassagem. A luz atinge cerca de 100 metros e pode ter alcance ainda maior, o que depende da tecnologia aplicada.

Na chuva, esqueça o farol alto. “O farol baixo é projetado para situações onde o trânsito é intenso ou tenha trânsito contrário. Claro que se uma estrada vazia o farol alto está lá para isso. Inclusive em situações de alta neblina ou chuva pesada, a luz do farol alto ofusca muito nas gotículas de água. A impressão é de que ilumina mais, mas o baixo faz um efeito diferente e deixa a visibilidade mais longa”, explica Alessandro Rubio, engenheiro da Comissão Técnica de Segurança Veicular da SAE Brasil.

Farol de neblina
Um incompreendido. O farol tem um uso mais do que claro: deve ser utilizado em condições de… neblina. Seu facho é baixo e largo para iluminar logo abaixo da camada de cerração. Com isso, é possível ficar logo abaixo da névoa e indicar os limites da via.

Sem serem obrigatórias nos carros, as luzes também são complementadas por uma lanterna de neblina atrás. Ela é a que atrapalha mais à noite e pode ofuscar outros motoristas, pois pode ter a mesma potência da luz de freio. “O traseiro também incomoda bastante quando não é a situação de neblina, a lanterna é muito forte. E acaba atrapalhando em situações noturnas. Ainda mais na chuva”, conclui Alessandro.

Farol de milha/longo alcance
Um facho ainda mais longo que o alto. Dito isso, o farol de milha (tecnicamente conhecido como “longo alcance”) não pode ser usado em qualquer situação e é reservado para locais totalmente escuros e sem ninguém por perto. “O de milha é um farol alto de alcance maior. Você pode usar desde que você siga as mesmas regras do farol alto. Os mesmos cuidados. E só pode ser usado em conjunto com o farol alto”, define João Irineu Medeiros, diretor de segurança veicular da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).

Luz diurna
A nova lei exclui os veículos que têm luzes de rodagem diurna da obrigação de usar farol baixo nas rodovias de mão simples. Também chamadas pelo mesmo termo em inglês DRL (Daytime Running Light), elas serão obrigatórias nos veículos novos lançados a partir de 2021 e nos antigos projetos em 2023, diz a resolução 667 do Contran. Mas não têm a mesma intensidade e alcance dos faróis baixos.

“Uma das principais definições de um DRL é o acendimento automático. Sem ele, passa a ser uma luz de posição. Agora o fabricante não pode mentir e o motorista tem que ser informado no manual do veículo”, alerta Guilherme Fabrício, chefe do setor de comunicação oficial da Polícia Rodoviária Federal de São Paulo. “O farol baixo tem a função de fazer com que o carro seja visto a distância e pode substituir o DRL, uma vez que a luz diurna deixa de ser funcional quando vai anoitecendo”, completa.

Sabe aquele carro que roda apenas com as luzes de rodagem diurna? Muitas vezes ele tem até sensor de luz e poderia acender os faróis baixos automaticamente. Mas não é incomum encontrar quem ignore esse recurso e use apenas esse tipo de iluminação à noite, muitas vezes associado aos faróis de neblina. Não pague esse mico achando que está abafando.

Pisca-alerta
Vale começar logo com um, digamos assim, alerta: nunca se aciona o pisca alerta em uma situação em que o carro não esteja em uma emergência. O melhor é acioná-lo só quando o veículo estiver parado: ligá-lo com o carro em movimento é uma infração média que rende quatro pontos na CNH e R$ 130 a menos na sua conta.

Alguns especialistas defendem que ele deve ser usado para indicar uma parada súbita. “ ele pode ser usado para ser visto por quem está ao redor. Uma situação de pane, parado. Mas posso acionar em movimento e com muita cautela, com bom senso para alertar uma situação anômala, como uma frenagem súbita diante do trânsito. Tem um sistema de frenagem de emergência que utiliza as luzes do pisca-alerta piscando de uma maneira mais forte para avisar que a frenagem pesada está sendo executada”, detalha João Irineu. É o chamado Emergency Signal System (ESS), ou sistema de sinal de emergência. Basta você freiar muito forte para os piscas serem acionados. Alguns carros nacionais já têm o equipamento.

Mesmo que o carro tente fazer algo para o motorista, o bom-senso tem que imperar na hora de definir qual luz você vai usar. “Observamos que às vezes o trabalho da educação que deveria começar no treinamento da habilitação. Esse trabalho precisa ter um pouco mais de ênfase. Você tem que estar constante preocupado comigo e com quem está transitando”, conclui Irineu.