Desde o nascimento dos carros com poucos equipamentos, como o Volkswagen Fusca “Pé de boi” ou Willys Gordini “Teimoso”, o brasileiro manteve o hábito de incluir no carro diferentes acessórios após a compra. Alguns deles, inclusive, podem até facilitar a revenda do automóvel depois, mas é preciso ficar atento: dependendo das mudanças, o efeito pode ser o oposto.

“Customização de carros é uma faca de dois gumes . Você sempre pode achar pessoas que admiram o seu gosto e vão querer pagar mais pelo seu carro, mas ao mesmo tempo, pode encontrar alguém que pode ter aversão pelo que foi feito e neste caso ou nem vão se interessar ou vão querer pagar mais barato”, analisa Marcus Mussi, gerente de pós-venda da start-up Volanty.

Equipamentos populares e comuns no mercado normalmente ajudam a tornar o carro mais atraente na hora da revenda. Neste quesito estão as películas nos vidros, sistema de áudio ou multimídia e rodas de liga leve.

Mas sempre que houver exageros é possível que o carro seja até mais difícil de vender depois. Em casos em que as modificações já tenham sido aplicadas pode até valer a pena a remoção dos acessórios antes de anunciar o veículo.

“Qualquer tipo de alteração feita no veículo que possa envolver a questão de gosto de cada um, envelopamentos, acabamentos não originais, luzes auxiliares que não sejam projetadas para o veículo, lâmpadas coloridas e sistemas de som muito elaborados podem compensar eventual retirada”, conclui Mussi.

Tuning reversível

Esse cuidado já ocorre com diversas mudanças ofertadas por lojas ou oficinas especializadas em customização. No auge da cultura impulsionada pelos filmes Velozes e Furiosos chegaram ao mercado até kits para as famosas portas que se abrem para cima que dispensavam furação extra na carroceria e permitiam a rápida reversão para as dobradiças originais.

Manter os equipamentos originais depois da modificação não facilita só a revenda do veículo. O comércio de acessórios na internet também é muito intenso, e repassar as rodas cromadas ou o multimídia à parte permite a recuperação de parte do dinheiro gasto no carro.

Por isso evite incluir acessórios que exijam mudanças profundas no veículo, como rádios que demandam emendas no chicote elétrico ou rodas que precisem de cortes na lataria para encaixarem no compartimento.

E mesmo alterações simples, como o envelopamento de parte da carroceria, demandam cuidado. Se a película for aplicada em uma superfície que já foi repintada, é possível que a pintura seja danificada no processo de remoção.