“Quer que veja o óleo, chefe?” é uma das frases mais ouvidas quando o carro para no posto de gasolina. Você já deve ter recebido um cutucão do passageiro, que diz quase desesperado: não deixe!

Ou recebeu uma “dica infalível” de como fazer o motor render mais, colocando um aditivo ou óleo diferente no seu carro. Por isso reunimos aqui as dicas para que a hora de trocar o lubrificante do seu veículo para seja uma cilada.

1 – Conferir o óleo em casa ou quando o carro estiver parado
Pode agradecer ao frentista e deixar pra lá, já que ver o nível do óleo no posto não é o método mais confiável. Ao ligar o carro, o lubrificante é jogado no motor para exercer seu papel de diminuir a fricção entre as partes móveis.

Por consequência, o cárter, onde o óleo fica guardado, terá um menor volume de lubrificante e o medidor acusará que é preciso completar. Quando o carro ficar parado e todo o conteúdo for jogado novamente no cárter, o conteúdo irá vazar.

Se você quer checar o nível do lubrificante, opte por fazer isso logo pela manhã, em um local plano. Você precisará de um pano ou papel para limpar o mostrador.

Basta puxar a vareta pelo anel amarelo ou vermelho, retirar o excesso com o pano e colocar novamente para verificar o nível de óleo pelos marcadores. Use um pano que não deixe fiapos na vareta, ou o óleo pode ser contaminado.

2 – Diferenças entre troca de óleo por gravidade e por sucção

Everton Lopes, engenheiro e mentor de Tecnologia em Energia a Combustão da SAE Brasil, explica as diferenças entre cada procedimento de retirada do óleo do motor.

Por gravidade, basta abrir o bujão (um parafuso com rosca no fundo do cárter) e deixar o óleo escorrer. “Por diálise, é feita por sucção, o que garante uma retirada do lubrificante das partes mais periféricas do motor”, afirma.

Nesse método, o profissional precisa ser capacitado para utilizar a bomba que retira o óleo do motor, mas nem todos os carros são projetados para passar por esse procedimento.

Somente por gravidade o lubrificante antigo pode ficar parado com borras de sujeira em partes distantes do cárter. “A troca de óleo com o motor quente ameniza um pouco esse processo, mas ainda existe a possibilidade desses resquícios permanecerem no motor”, conclui Lopes.

3– O que é Flushing?

Além da sucção, outro método para retirar o óleo velho do motor é o flushing (“enxaguar” ou “dar descarga”, em inglês). Ele consiste em usar um produto químico que literalmente lava o lubrificante das partes móveis.

“O flushing só é recomendado quando a quantidade de borra no motor é muito alta e outros métodos de retirada não funcionam”, informa Thiago de Freitas Correa, consultor técnico para montadoras da marca Mobil. “O bom é que retira toda a sujeira das partes periféricas do motor antes de colocar o óleo novo, o que preserva e garante sua durabilidade.”.

Já Lopes prefere outro método para a retirada completa do lubrificante: a desmontagem do motor. “O produto do flushing pode misturar com o óleo velho em alguma cavidade do motor, oxidando o novo com mais facilidade. O ideal é desmontar [o motor] e limpar as peças para garantir”, comenta.

4– Sempre troque o filtro de óleo

É consenso entre os especialistas que a troca de óleo a cada 5 mil ou 10 mil quilômetros deve ser acompanhada da substituição do filtro. E isso influencia até na durabilidade do lubrificante novo.

O que ocorre é que as impurezas geradas pela fricção das peças ficam grudadas no filtro do óleo. Quando o novo lubrificante passar por essa sujeira, pode oxidar mais rápido e, com isso, perder a viscosidade e as propriedades específicas de fábrica.

5– Preciso trocar o bujão também?

O parafuso do cárter, chamado bujão, só deve ser trocado quando não cumprir mais sua função: vedar o óleo dentro do compartimento. “É possível aproveitar e trocar o bujão. Fica a critério do mecânico, mas isso só acontece quando ele está bem danificado”, diz Correa.

Vale sempre checar se na garagem ou em locais onde o veículo fica muito tempo parado ocorre a formação de poças de óleo. Isso indica que existe alguma falha no sistema de vedação do cárter.

6– Devo colocar aditivo no óleo do motor?
Existe uma polêmica sobre colocar ou não um aditivo químico no óleo lubrificante, mas os especialistas advertem quanto ao uso. Tanto Lopes quanto Correa não recomendam.

“Diferentemente da gasolina, em que é possível escolher comum ou aditivada, não existe um óleo ‘comum’, todos eles já vêm com aditivos”, afirma Lopes. “Colocar algo a mais quebra o balanço de aditivação. Ele já é balanceado para funcionar de forma correta.”

Correa explica ainda que a indústria dos aditivos surgiu com a utilização dos lubrificantes errados. “Se você usar o produto certo, não vai precisar colocar nada mais. É perigoso usar, ainda mais em veículos mais novos”, conclui.

7– Meu carro ficou muito tempo parado. Troco o óleo mesmo assim?

Como qualquer produto químico, o lubrificante tem uma data de validade que estabelece até quando suas propriedades físicas são garantidas. Viscosidade e desempenho no frio ou no calor são algumas delas.

Por isso, mesmo que o carro tenha andado pouco e não tenha atingido o limite da quilometragem daquele óleo é preciso fazer a troca a cada seis meses. “O que ocorrer primeiro”, dizem os especialistas.

8– Qual o melhor: óleo mineral ou sintético?

Carros mais antigos costumam precisar de óleo mineral, enquanto os mais novos usam o sintético. É possível fazer a troca do mineral pelo sintético seguindo as especificações de viscosidade e desempenho que estão no manual do proprietário do veículo.

Já o contrário – ou seja, a troca do sintético pelo mineral – não deve ser feito porque a qualidade do primeiro não é tão boa. “O sintético é superior, na hora da troca ele vai estar em uma condição muito melhor [do que o mineral]”, afirma Correa.

9– Como escolher o melhor óleo para o meu carro?

A dica de ouro dos especialistas é simples: leia o manual. Nele consta o tipo de lubrificante específico que foi testado para o seu motor. “Usar o óleo errado pode diminuir a vida útil e até alterar o consumo do veículo”, afirma Lopes.

“Não é obrigatório usar uma marca X ou Y, contanto que as especificações técnicas do manual sejam seguidas”, completa Correa. Você pode conferir o que significam as letrinhas existentes nos rótulos dos lubrificantes clicando aqui.

10 – Cárter seco ou úmido?

Se você gosta de carros esportivos e superesportivos, essa parte é para você. Um veículo de alto desempenho precisa de um cárter seco para funcionar melhor, como explica Lopes.

Fonte: Auto Esporte